Vou aprender que as flores também morrem; que o sol se põe para uma lua nascer e iluminar os sonhos esperançosos.
Vou descobrir se existe o pote de ouro ao fim do arco-íris; se um grande amor realmente só é bem grande se for triste.
Vou entender o presente e saber que o futuro é terra de ninguém; ignorar o desamor, mesmo quando a solidão insiste.
Vou sentir o vento soprar aos meus ouvidos um novo caminho, outro horizonte; quero reconstruir os destroços.
Vou subir os degraus da minha vida e tentar tocar o céu; contar estrelas e em uma, cadente, pegar carona.
Vou escrever canções sobre amor e dias de glória, minhas glórias; vão dizer que canção de amor é cafona.
Não vou ligar para os devaneios receosos de quem não espera nada na vida; da minha eu espero muito.
Não vou sentar enquanto nada vem; manter o elenco de uma peça sem aplausos; não, sinto muito.
Não vou escrever novos roteiros pra minha história; não me enquadro no contexto dos arrependimentos.
Não vou procurar culpados quando uma história chegar ao fim; quando o orgulho quiser encobrir os sentimentos.
Não vou inventar desculpas se a desculpa já foi dada; desculpo-me, se desculpe, te desculpo; mas me desculpe, acabou.
Não vou cultivar lágrimas, um dia secarão; e antes que chova no sertão, voarei como um beija-flor certa vez me ensinou.
Vou, voou, voei, fui…
"Se é na sutileza que reside a exuberância, busco ressonância nos ideais do amor." (Fernando Anitelli)