segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pra Sempre...

“São 55 felicidades e a mesma quantidade de tantos abraços. Mas onde estou se nesses mil abraços não me encontro? Onde estou senão nos braços que meu coração pra sempre amou...?”

Sim, hoje, sentado na varanda enquanto o chá esfria, são as ultimas horas de mais um adormecer das secas folhas de outono. E assim, deixo que escorram, nestas rugas que me entregam as lágrimas do que fomos e hoje vejo que não deixamos de ser...

Inverno de 86, ruas vazias, eu sonhava como nunca feito antes. De nome Antonio Carlos, eu era só mais um “jovem” boêmio de 30 anos na Ipanema de Vinícius. Nascido em berço de ouro, assumo nunca ter me preocupado com dinheiro, afinal, eram 30 anos com tantas festas e mulheres – aquelas da Ipanema de Vinícius e esquinas de Tom – entre um gole e outro de uísque. E pra ser honesto, por alguma delas até tive certo encanto, algum ar de desejo e romance, mas nenhuma que tivesse o dom em despertar-me um grande amor.

Vivendo assim, desregradamente, de bar em bar (sim, o dinheiro me sobrava. Já o requinte...), quando a bebedeira nos faz pensar que nada pode acontecer conosco, a vida pregou-me uma surpresa. A bebida havia me vencido. Pelo menos, parecia.

O céu escurecera, onde estava senão na mesma mesa dos copos e garrafas inquietos, das doses cada vez menos vazias? Eu me encontrava perdido na fronteira entre um caminho sem volta e a volta para o recomeço. Seja como fosse, tudo mudaria a partir daquele instante.

Acordei, e ainda tonto deparei-me em uma cama. Tudo branco, todos de branco. Havia morrido? Não, minha ressaca não iria se curar tão fácil assim. Olhei para os lados, nas quinas de cada canto de parede, mas uma simples placa e seus dizeres eu jamais esqueceria: Emergência. Finalmente eu sabia, infelizmente, onde estava. Tanto esforço em descobrir, não sei pra que; dormi.

Abri os olhos uma segunda vez, naquele mesmo lugar, porém “melhor”, até mesmo apresentável. E foi assim que eu a conheci - afinal, toda história que se preze merece um “bandido” e uma “mocinha” –, de branco, logo na minha primeira impressão. Quem seria aquela dama de cabelos pretos, ondulados como o mar? Quem seriam aqueles olhos, verdes como um jardim de primavera? Seria um anjo, ou apenas Angélica? Seja quem fosse, era ela.

Os dias passaram, e ela, como minha enfermeira, me acompanhou em cada dor e alegria naquele hospital, um lugar que não combinava com uma história linda que começava a ser escrita. Passamos a nos conhecer mais, no dia-dia, revelando segredos e intimidades um ao outro. Dessa forma, pude então conhecer um pouco mais a sua história de vida...

Nascida em 1960, na cidade de Belo Horizonte, Angélica teve uma infância difícil por ser de origem pobre (quem disse que os opostos não se atraem?). Dessa forma, priorizou sempre os estudos, por mais difícil que fosse conciliá-los com os trabalhos junto sua mãe, para ajudar dentro de casa. E tal esforço um dia foi recompensado; foi para uma universidade pública, formou-se com louvor em enfermagem. Chegava o momento de seguir adiante, um novo rumo, e em seu destino o Rio de Janeiro.

Recém chegada, com uma mão na frente e outra atrás, conseguiu emprego em um hospital renomado da cidade. Bom, a partir daí são meros detalhes que nos trouxeram até aqui.

Por esses e outros fatos de sua vida, fui encantando-me cada vez mais por aquela jovem e tímida interiorana; o amor batia à porta do meu peito. Era tanta beleza, que não poderia imaginar palavras duras emergindo de seus delicados lábios; mas um dia tais palavras vieram.

- Antônio, mesmo se eu quisesse, jamais saberia como lhe dizer o que vim dizer. Logo agora, que estávamos tão próximos... Mas, enfim, se precisa ser dito, que seja logo: você está com cirrose hepática.

Eu não sabia o que dizer. Passei apenas a odiar a tal bebida que um dia foi minha única companheira inseparável. Mas, hoje, era ela quem me separava da mulher que seria minha companheira ideal, eterna enquanto durar. Chorar? Não. Conseguia apenas secar as lágrimas de Angélica, abraçá-la e dizer: “não chore, meu anjo, vai ficar tudo bem”. Puro engano meu, pensar que sabia do final feliz.

As noites se arrastavam, o transplante era uma incerteza tão grande quanto o sol que nasceria para mim no dia seguinte. Tudo tão difícil, mas a força e o amor dela me ajudavam a superar qualquer desafio.

Mas, por força do destino – e a essa altura eu já acreditava veemente nele – surgiu no fim do túnel uma luz, um transplante. Novamente choramos; dessa vez de felicidade e alívio. Minha alegria aguçava minha curiosidade em querer saber de quem eu receberia uma segunda chance; Angélica não me dizia o nome do (a) doador (a). Sem saber a identidade do meu “salvador”, chegara o grande dia. A sala de cirurgia era preparada, os médicos se concentravam. Chegamos ao momento aguardado por nós dois. Eu, deitado em uma maca, seguia rumo à sala de transplante, e de repente surge Angélica, deitada em outra. Foi uma surpresa, um choque! Não fosse a anestesia e eu já estaria de pé, retirando ela ali de cima. No fundo, eu tinha um medo tão grande de perdê-la. Não dava tempo para refletir ou lamentar. Aceitei.

Fomos colocados um ao lado do outro, e em volta de nós dois uma equipe de médicos experientes, mas prestes a realizar um procedimento novo na medicina: transplante entre vivos. É claro que temia o lado ruim, mas a esperança em poder abraçá-la novamente e jurar o pra sempre me reconfortava.

Passaram as horas, novamente abri os olhos. Desta vez eu avistei um senhor, já grisalho pelo tempo de conhecimentos médicos. Ele me dera a notícia que eu temia ouvir...

- Sr. Antônio Carlos, meu nome é Afrânio, o cirurgião que transplantou o fígado de Angélica para o senhor. E é dela mesma que eu vim falar.

- Angélica?! Diga logo doutor, o que aconteceu?!

- Bom, o transplante foi um sucesso, porém ela teve algumas complicações no pós-operatório. Está estável, mas as chances de recuperação dela vão depender de como ela reagirá aos próximos dias. Esteja preparado para o pior e tenha muita fé. Sinto muito.

Pronto, meu mundo acabava de desmoronar naquele instante! De que valia um pedaço dela, se eu a queria por completo? Era minha vez de retribuir todo o seu esforço em me ver melhor. Era minha vez de estar ao lado dela no momento mais difícil de sua vida.

Mais noites daquelas se rastejaram, mais dias nascendo sem eu ter a certeza de que a veria abrir os olhos e sorrir pra mim. Porém, eu ainda acreditava no destino, mesmo que Deus viesse a tentar “tirá-la” de mim. Eu não deixaria, eu iria junto; ainda faltava lhe dizer o tal pra sempre. Por isso, penso que Deus ouviu minhas preces; ela havia se curado. Que alegria, que alívio! Agora sim, poderia abraçá-la e dizer as coisas que eu tanto ousei guardar pra mim.

O sol brilhava, saíamos pela porta da frente com uma vida toda pela frente.

Casamos em 1987, sorrimos, choramos, brigamos, brincamos. Enfim, fomos um casal; não o melhor casal, mas o melhor que pudemos ser um para o outro. Tivemos dois filhos, um casal – olha o destino -, e a menina, mais velha, como lembra a mãe. Outro anjo em minha vida. Mas o destino também nos trás surpresas não tão boas, e com isso, nossos filhos foram o ultimo e maior presente que ela me daria.

Em 2007, Aos 47 anos, após exatas duas décadas de casamento, ela partiu. Foi para o seu lugar, sua casa, pro céu. Lá de cima sei que ela cuida de nós três, seus três amores. E aqui de baixo eu olhos para as estrelas e lembro-me dos olhos dela, tão brilhantes. Seria ela uma dessas estrelas? Talvez.

Com isso, nossa história de amor “termina” (apenas pausa por um momento), da mesma forma que começou: Jurando amor pra sempre...

“Sim, hoje, ano de 2010, sentado na varanda enquanto o chá esfria, são as ultimas horas de mais um adormecer das secas folhas de outono. E assim, deixo que escorram, nestas rugas que me entregam as lágrimas do que fomos e hoje vejo que não deixamos de ser... Completei mais um ano de vida, outro sem ela. São 55 meias-felicidades e a mesma quantidade de tantos meio-abraços. Mas onde estou se nesses mil abraços não me encontro? Onde estou senão nos braços que meu coração pra sempre amou... E vai amar? Estou sob o olhar dela.”

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Dentro de Mim

E se um dia eu me perder
Que eu voe a te encontrar
Que eu sonhe ao acordar

E se um dia eu lhe perder
Não terei asas pra voar
Nem meus sonhos pra sonhar

Gotas de chuva no verão
As folhas do outono cairão
E você nem vai estar aqui

Mas, eu ouvirei meu coração
E buscarei na escuridão
O teu sorriso pra me fazer sorrir

Vou guardar em mim o que restou
Tatuar no peito o que marcou
E pra sempre te levar dentro de mim

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Um Poema A Dois

Amar você daqui pra sempre,
É pedir demais?
Se meu coração não mente,
Como lhe deixar pra trás?

Agora, te levo onde eu for
Do cair da lua, até o sol se pôr
Onde o teu abraço me encontrar

Não importa o que eu fizer
Penso em ti, menina mulher
Um sonho bom de se lembrar

E nunca mais eu hei de te esquecer
Se daqui pra sempre vou amar você
Meu coração não mente, o que fazer?

Não faço nada, não faça nada
Que seja assim, conto de fada
Que seja a dois enfim, mais nada

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eu Te Amo

“Eu te amo”
Essas foram as suas ultimas palavras
Depois de tanto tempo,
Será que estiveram tão erradas?

Não pra mim
Não assim
Não aqui

Essas foram as minhas únicas palavras
E depois de tanto tempo,
Já não sei se devo mais pronunciá-las
E se voarem com o vento?

Mesmo assim, você sempre soube o que ouvir
Até aqui eu sempre soube o que dizer
Mas o teu sorriso já não encontro pra sorrir
Nem mesmo o teu amor pra eu viver

Nas minhas lembranças, onde tento te encontrar,
Não vejo mais teus passos, penso até que me perdi
Tentei, e se eu pudesse, eu só queria lhe contar,
Que de todos os amores, foi o mais lindo que eu vivi

terça-feira, 13 de julho de 2010

Não Há Ninguém

De que vale se enganar
Se o meu lugar é junto ao seu?
De que vale se afastar
Se distantes sobra apenas o adeus?

Não vale nada entristecer
Um coração que te alegrar
E se um dia eu te perder
Não esqueça de me procurar

Estou aqui, não vou sair
Por que não fica aqui também?
É só por ti, eu vou sorrir
Pois sem você não há ninguém

E eu fiz de tudo pra poder
Um dia nunca te esquecer
E eu disse tudo pra você
Ouvir meu coração bater

Estou aqui, não vou sair
Por que não fica aqui também? (eu vou ficar)
É só por ti, eu vou sorrir
Pois sem você não há ninguém (nem haverá)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Vou Ali, Se Você Vier Aqui

Vou ali, pedir olhar
De perto ou longe
Um pouco, ou bastante
Você olha pra mim?

Vou a ti, pedir sorriso
No teu rosto querubim
Que provoca até feitiço
Você sorri pra mim?

Vem aqui, não fuja assim
Dos meus rodeios tão sem fim
Das frases feitas que esqueci

Vem a mim, lhe dou carinho
Meu coração deixa o teu quentinho
Faz desse abraço o teu cantinho

Vou ali e você vem aqui
Vou a ti e você vem a mim
É tão bom se apaixonar assim

Você olha pra mim
Eu lembro que em sonhos a conheci
Você sorri pra mim
E fazemos desse amor algo sem fim

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Atuar, Não Mais

Talvez eu me perca em rodeios criados por mim mesmo
Em devaneios de uma ilusão jogada a esmo
Talvez eu nem saiba ao menos quem eu sou

Tenho certeza que a dor é como o frio inverno
Já não me aqueço sem você por perto
Não há mais verão na solidão em que estou

E nos rodeios que me perco, não perdi teu nome
Não iludi no peito que esqueci o teu semblante
Talvez eu seja quem lhe tem o tal do amor
Talvez eu te ame por cansar de ser ator

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sonhos de Criança

Eu vi anjos da janela
Esperando há tanta espera
Na sacada lá de casa
Eu vi anjos da janela?

Passou por mim uma estrela
Rasgou o céu num traço branco
Na praça, sentado ao banco
Passou por mim uma estrela?

Ouvi pássaros a cantar
Uma canção que traz saudade
Não é mentira, isso é verdade
Ouvi pássaros a cantar?

Pingou das nuvens ao chorar
Lágrimas de um amor que eu desenhei
Na lua, no azul do mar, já nem sei
Pingaram as nuvens ao chorar?

Você me devolveu os meus sonhos de criança
Eu vejo anjos a esperar; estrelas correndo
Eu ouço pássaros a cantar; nuvens chorando
O teu amor trouxe de volta a minha esperança

Faz de Conta

Eu criava um faz de conta
Dando conta que te amava
Você deixou a porta aberta
O vento frio incomodava

Eu contava uma piada
Sorrindo assim o meu disfarce
Você rasgou as velhas cartas
Antes que eu as terminasse

Eu inventei meu faz de conta
Dando conta que existiu
Pintei de preto a tua sombra
Não me contes que partiu

Não me revele a tua cor
Pintei de branco a minha dor
Fiz de conta que esqueci

Eu acredito neste amor
Em estar contigo aonde for
No faz de conta que eu vivi

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Soneto da Promessa

Dos momentos que vivemos
Guardarei mais um segundo
As palavras doces que dissemos
Neste nosso amor profundo

Das brigas por nós travadas
Esquecerei qualquer momento
As lágrimas ao chão, lá derramadas
Pela falta sua que eu lamento

Do amor que lhe dedico
Entrego às mãos cada sorriso
Em teu olhar, o meu serene

Da vida que eu levo
Deixo em mim o que é certo
Viver por ti, daqui pra sempre

terça-feira, 4 de maio de 2010

Pra Sempre...

Dizem que o “pra sempre”, sempre acaba. Mas eu discordo e penso que o pra sempre nunca chega, mas se busca.

- Amar pra sempre: carregar no peito um sentimento além do que se pode sentir, medir, descrever; amar até o ultimo dia da sua vida, pensando que, mesmo assim, não se amou o suficiente.

- Ser feliz pra sempre: sorrir a vida, por toda a vida; fazer dos erros um motivo para ser melhor e maior; dedicar todo o tempo em fazer alguém feliz também.

Eu prometi que lhe amaria e a faria feliz, pra sempre...
Eu descuidei meu coração, disse que seria seu e de mais ninguém, pra sempre...
Eu sequei suas lágrimas e jurei não medir esforços para devolver o teu sorriso, pra sempre...
Eu contei meus sonhos, meus medos e decidi construir meu mundo em volta do seu mundo, pra sempre...
Você chorou, sorriu e em um abraço me amou um pouco mais, daqui pra sempre...
Dedico meu silêncio em um sorriso aos olhos teus; tão meus, pra sempre...

Eu discordo que o “pra sempre” um dia acabe, que um sonho se desfaça e dois corações se esqueçam de amar e como amar.
Eu concordo que a felicidade se constrói, que os sonhos se realizam e que do amor se cuida, cultiva; que ele nos enobrece.
Discordo muito e concordo mais ainda...
Eu discordo que possa viver sem ter você, e concordo que nasci pra te amar e fazer sua vida mais feliz...
Eu discordo que exista o fim, e concordo que o nosso “pra sempre” nunca vai chegar. É a eterna busca em sermos mais do que somos, melhor do que somos, e fazer mais do que fazemos. É o passo a passo em cada passo juntos e, no fim, é pra sempre...
Eu te amo antes mesmo do começo, pra sempre.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Águas de Abril: um novo enredo para o ''mundo que caiu''

E as águas de março atrasaram sua chegada; São Pedro nem mesmo nos avisou que viriam em abril. E assim, sem saber, abrimos as portas para mais um dia comum, tão rotineiro em nossas vidas. Acordamos e, numa repetição diária, fomos para o trabalho, às aulas (na esperança de tornar tudo um pouco melhor no futuro), para o mundo lá fora. Que ironia, alguns nem mesmo voltariam para o conforto de suas casas, para os abraços de seus amores esperançosos, para o aconchego do amor de um filho; alguns iriam chorar águas de abril.
E foi dessa forma que fomos pegos, no susto, desprevenidos; foi na correria louca e egoísta de cada um que descobrimos a importância de sermos todos um só, uma nação.
Caos nas ruas, mulheres chorando, crianças (aquelas que não sabem o que é ter uma piscina no quintal de casa) nadando em meio às poças; enfim, o fim dos tempos modernos para muitos, catástrofe para outros, algo comum para os comuns. Mas uma coisa é certa e disso tudo será tirada uma lição: somos pequenos diante da grandeza dos nossos erros.
Omissos, empurramos com a barriga a importância da vida humana e pensamos em Copas do Mundo e Olimpíadas. Enquanto nenhum desses sonhos chega, a realidade são moradores em áreas de risco e alguns nem mesmo moradores, apenas contagem para o IBGE nas ruas. Pois bem agora vai mais uma contagem: centenas de vítimas fatais dos olhos cegos e corruptos do governo; milhares de desabrigados que perderam as tais residências em área de risco por falta de incentivo público para distribuição de lotes de terra em locais seguros.
Agora vão falar de investimento na infra-estrutura do estado (principalmente na cidade do Rio de Janeiro – ou melhor, de Abril –); e o pior é que JÁ disseram que isso não afeta os eventos esportivos. Nós lá queremos saber de esporte?! Só se for para aprender nado sincronizado na Praça da Bandeira, surfar nas ondas da Lagoa Rodrigo de Freitas ou dar um salto mortal do alto de algum morro (pois é a vontade que dá ao ver a cidade de cima).
Fomos acostumados com o rio de gente bonita, de gente do bem, do povo acolhedor; e agora, quem vai nos acolher?
Gastem o dinheiro que temos depositado todo ano aos cofres públicos, usem os recursos que nós, cidadãos, damos a vocês… Usem o que nos é de direito, para fazer direito. Ah, e usem a cabeça também, para ver se ainda funciona. E se sentirem cheiro de queimado, relaxem, temos muita água para apagar o fogo.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sonhada Cura

Tem feito sol
Pingado chuva
O que era o mesmo, agora muda

Nasceu a cor
Num céu cinzento
Trazendo esperança ao meu lamento

Já não lamento
A saudade por ti sentida
Nem mais me lembro a velha dor da despedida

Pois foi embora a triste chuva
A lua não mais deixa o sol sozinho
Agora há luz no meu caminho

Há estrelas no espaço dos meus sonhos
Algumas cadentes, caindo lá em outros cantos
Onde canto uma canção para você me ouvir

Se isto eu conseguir
Pegue carona e volte até aqui
Meu coração adoece de amor sem fim
E encontrou a tão sonhada cura em ti

quarta-feira, 31 de março de 2010

Penso Em Ti

Como uma nuvem
Os meus sonhos tem mil formas
Imagino o que eu quiser
Talvez assim passem as horas

Pois me amarga o peito se acordo
Sem ver ao lado o teu sorriso
Se no abrir dos olhos eu lhe perco
E n’outro sonho busco algum suspiro

E respiro, esperando que corram
As horas em que me escondo nos lençóis
Onde sinto a tua ausência em meus braços
Quando estávamos juntos, éramos nós

Isso é saudade de um tempo tão presente
De um instante que eu guardo em sonhos
Só eu sei como sem você me sinto ausente
E durmo na ânsia em acordar para outro encontro

Uma noite sem te ver e o meu peito dorme assim
Sonhando com uma Nathália que não está aqui
Por quem acordo e desperto
Um amor que não tem fim

segunda-feira, 22 de março de 2010

Eu Sou Assim

Não entendi
Me confundi
Quem é você?

Desculpe a mim
Eu sou assim
Vá entender…

Ouso cantar
O que não posso ouvir
Tento encantar
Os olhos teus sem lhe sentir

Num fim de tarde, um sol poente
Estrela ao céu e uma cadente
Então faço um pedido: ‘não esqueça mais de mim’

Pois não sei teu nome, mas lhe conheci
Isso basta para me lembrar sempre de ti
Vai entender… eu sou assim

Sinto Que Esqueci

Sinto na perda uma dor e a distância
De quem lamenta a esperança
Em ter de volta a tua presença

Sinto no peito uma saudade e aquela ânsia
Em ver de novo o teu sorriso
E morrer de amor n’outro suspiro

Mas também sinto pesar um tempo antigo
Onde fomos amantes e mais que bons amigos
Onde fomos dois e deixei de ser sozinho

Agora sinto a maresia e me esqueci do teu perfume
Desaprendi o verbo amar, nem me peça que o conjugue
Os dias atuais não são mais os de costume

Tudo isso não mais sinto, apenas lembro
Uma lembrança vaga, um lampejo de momento
De quando fui menino e por ti me apaixonei
Quando sabia sentir o que hoje já não sei

sexta-feira, 19 de março de 2010

Soneto do Terceiro Mundo

Passam carros
Buzinas, sinais, tráfego
Tanta gente
Homens e mulheres olhando só pra frente

Correm as horas
Prédios, parques, escolas
Falta tempo
Que pressa, todos correndo

Se chover é rua cheia
Novas pinturas disfarçam a velha sujeira
A história continua, é sempre a mesma

Sobram barracos, muitos choram calados
O capitalismo selvagem encobre a pobreza
E querem a copa enquanto o copo enche de tristeza?

Outro Dia Faltava Amor

Outro dia sonhei que envelheci
O mundo mudara, não era como o conheci
Faltava amor

Outro dia lembrei-me do que havia esquecido
E quando dei por mim estava assim, perdido
Faltava amor

Faltava alguém
Faltava quem?
O meu amor

Amor em si, amor em mim, o amor dela
Então me pus a encarar a vida por detrás de uma janela
Realmente estou envelhecendo

O mundo lá fora ainda muda, não conheço mais
Falta amor, sobra dor, perdeu a paz
O que está acontecendo?

E desta indagação eu me protejo
Do triste fim ou pior desfecho
Escondo-me no mundo que eu mesmo construí

Onde já me sobra amor, o teu amor
Onde encontro a paz e não há dor

segunda-feira, 15 de março de 2010

Mais, Um Pouco Mais

Tem faltado tempo
Ou há tempo até demais
Então se dê um tempo
E pense mais, um pouco mais

Tem sobrado dúvidas
E já lhe tiram a própria paz
Aumentam mais a tua angústia
Pondo em jogo o que se faz

Tem ficado o pouco e sumido o muito
Resultado de tudo que já sinto
Sussurra em minha mente um sinto muito
O orgulho em mim está sumindo

Estou contando o tempo que falta
As horas que me separam dos teus braços
Tenho passado os dias com a sua falta
Querendo descansar nos teus abraços

Então aprece o até amanhã ou logo mais
Recue os passos a frente e volte aqui
Sinto uma saudade de minutos sem fim
Porque eu te amo mais, um pouco mais

sexta-feira, 12 de março de 2010

Saudade Perdida

Meio perdido
Assim, confundindo
A saudade com você

Um tanto sem rumo
Feito cego no escuro
Com medo de me perder

Quase sem esperanças de chegar
Onde se possa parar e descansar
Os pés já cansados de correr

Pois desisti de ir atrás
Do que não volta mais
Não tenho tempo a perder

Abro a janela e deixo entrar
A luz do sol que vai me guiar
Chegou a hora de viver

Distinguir a saudade dos teus olhos
As lembranças de simples sonhos
O verbo amar do sujeito você

quarta-feira, 10 de março de 2010

Liberdade Presa Em Ti

Perdi-me no devaneio de um querer
Sem saber como, nem sequer porque
Fui à procura cega, não sei de que
E em meio à escuridão eu encontrei você

Fugiu-me a idéia do que iria acontecer
Deixei rolar, amei sem tentar entender
Não entendo o que não sei dizer
Nada, além de um simples amo você

Fiz assim, o caso louco de uma loucura qualquer
Entre idas e vindas, prefiro mais o que vier
Vem sem avisar; bate, acelera e faz pulsar
Um tambor sem ritmista, tão intimista ao amar

E eu te amo, assim, desse jeito meio louco
Sou apaixonado, pelo avesso, meio bobo
Faço poesia, frase feita, de tudo um pouco
Por um coração antes preso, agora solto

E na liberdade recebida, decidiu prender-se a ti
Dedicar-lhe um sentimento inconjugável, até o fim
Demonstrar aos olhos teus o melhor que há em mim
Que nessa vida de nada vale a liberdade sem você aqui

terça-feira, 9 de março de 2010

Amor Maior Que Eu, Igual A Ti

Voei, sonhei, nem sei
Fiquei, chorei, eu sei
Não aprendi a me despedir
Sentir saudades em te ver partir

Imaginei, procurei, liguei
Falta o teu abraço em mim também
Por isso eu corri, cansei, gritei
Eu amo só você e mais ninguém

Quem sabe, assim você me escute
Ouça minhas lágrimas e as enxugue
Quem sabe, assim você venha correndo
E salve um coração que está sofrendo

Ele morre de saudades, onde está você?
Ele pulsa e quase sai à sua procura
Já não descansa, só pensa em lhe ver
Ele te ama e no teu amor achou a cura

Então, entenda que amor maior é assim
Não se contenta só em amar e ser amado
E esse amor é maior que eu, não cabe em mim
Precisa dividir tal sentimento do teu lado

terça-feira, 2 de março de 2010

Esperança

Tenho ausentado a alegria de mim mesmo
Forçado um sorriso vazio, a esmo
Venho falado com o silêncio à minha volta
Mas só ouço minha voz, não há resposta

Tento me encontrar em meio a escuridão
Fiz pedidos, ajoelhei aos céus em oração
Só vejo a lua e estrelas a brilhar
Será que há mais um lugar?

Querubim me queira bem e leve o meu pranto
Afaste-me a melodia triste enquanto eu canto
Dei-me asas, mostre o caminho, estou errando
Enquanto não ouve minha prece, sigo sonhando

E algum dia hei de acordar e recordar o que passei
Chorar feliz por saber que finalmente me encontrei
Hei de sorrir no fim

Até lá, vou sofrer quedas e aprender a levantar 
Pois tem algo que a derrota jamais vai me tirar:
A esperança em mim

segunda-feira, 1 de março de 2010

Te Amar Já Basta

Empresto ao mundo o meu sorriso
Façam dele o que quiser
Divido aos seres meus ouvidos
Digam a eles o que vier

Estendo aos fracos minhas mãos
Sejam fortes e levantem
Entrego aos amantes um coração
Sintam-se livres e amem

Dou um pouco de tudo que me resta
Não ligo se vai ser útil ou virar festa
Dou porque não sou melhor, só mais um
A vida deve ser assim, sem egoísmo algum

Então, que o vento leve os segredos que guardei
Que a chuva regue as sementes que plantei
Que o sol brilhe e alimente as palavras que falei
E a terra fortaleça os passos que aqui deixei

Que se vá tudo que não pertence só a mim
O que deve ficar aos outros quando for meu fim
Só não me levem o amor que sinto por ela
Levem o que for meu, deixem apenas o que é dela

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Vida Passada

A vida tem passado
E com ela o meu sossego
Assim, como um farol apagado
Tenho numa estrela o meu apego

Inquieto-me se não a vejo brilhar
Procuro no breu a tua luz
Sempre esteve em seu lugar
Mas já não está onde lhe pus

Partiu sem uma carta me deixar
Sem pensar na minha dor
Cadente, mergulhou em outro mar
Assim, como um navio ancorador

Desde então eu permaneço ali, apagado
Sem poder lhe avistar, tenho rezado
Talvez as ondas me devolvam o que perdi
Quem sabe, você volte a brilhar aqui

Mas não demore
Minha vida tem passado…

Nós Dois, Quem Sabe

Quem sabe, eu até pudesse conseguir mudar
Quem sabe, eu fosse apenas eu, sem disfarçar
Quem sabe, eu soubesse o que não sei

Quem sabe, o meu amor fosse singular
Quem sabe, minha solidão fosse meu par
Quem sabe, eu descobrisse que tentei

Quem sabe, um dia eu volte e queira partir
Quem sabe, uma noite dessas, eu possa sorrir
Quem sabe, uma hora eu venha a me entender
Quem sabe, um segundo não demore pra correr

Quem sabe, a incerteza me acompanha
E você, talvez seja minha única certeza
O lado ausente em minha cama
O prato vazio em minha mesa

Quem sabe, o destino me encanta
E eu, talvez seja meu único oponente
A voz mágica de quem canta
A lua por trás de um sol poente

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Oração

Que eu ouse revelar o segredo
Que o teu amor me afaste o medo
E me cure dessa dor

Que eu tente desvendar o sentimento
Que o teu sorriso me conforte em tal momento
E me acompanhe onde eu for

Que eu possa superar o destino
Que a tua estrada seja o meu caminho
E me guie em cada esquina

Que eu consiga vencer mais do que perdi
Que o teu abraço seja tudo aquilo que pedi
E me conceda nele a minha sina

Que eu saiba acreditar mais do que desconfiei
Que as tuas palavras sejam a verdade mais pura que encontrei
E me devolva a força pra seguir

Que eu aprenda a lhe fazer feliz quando uma lágrima rolar
Que o meu amor seja tudo em que você possa se apoiar
E lhe devolva o prazer em sorrir

Que eu acorde e perceba que minha oração mudou meu fim
Que você durma e descubra que é o recomeço dentro de mim

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Você e Mais Ninguém

Eu só consigo olhar na sua direção
E dizer que o meu abraço anda tão vazio
Que de saudade a vida inundou meu coração
E não ter o teu sorriso é me sentir tão sozinho

Eu só aprendi a segurar na sua mão
E me abrigar no esconderijo dos teus braços
Onde o mundo lá fora, tudo, é tão vão
Mas aqui dentro, com você, vou até o espaço

Eu só esqueci de te esquecer
Desaprendi a ver a vida sem você
É assim que me lembro de te amar
Aprendo a ser feliz apenas em te olhar

Eu só entendi que a vida quis assim
Eu junto de você e você junto a mim
Só descobri que o mundo gira, sim
E a nossa estrada não tem mais fim

E talvez eu seja mesmo um romântico
Não um físico, químico ou quântico
Mas alguém que é feliz por ter um outro alguém
Que dedica o maior amor somente a uma e mais ninguém

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

No Fim, Só Nos Resta o Amor

E eu voei tão alto
Fui tão distante
Sei que aqui estou a salvo
Planando além do horizonte

E eu corri tão rápido
Com passos de um gigante
O caminho nem sempre é fácil
Mas é preciso seguir adiante

E eu passei do tempo, além do tempo
Me perdi na brisa e hoje faço o vento
Encontro no passado a correção do meu futuro
Onde haja bons amigos; ter isso é quase tudo

E que seja assim até o tempo passar por mim
Quando eu for feliz lá no alto, não somente aqui
Pois um dia o vento vai apagar meus passos e me levar
Deixarei apenas o melhor amor que um dia eu pude amar

De um jeito estranho, até mesmo exagerado
De um modo único, verdadeiro e apaixonado
Alegre, inconsequente, um tanto sonhador
Seja como for, não importa, já basta, é amor

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Eu, Você e o Tempo

Eu voltei no tempo
Quem sabe, até cedo demais
Eu me dei um tempo
Pra seguir a vida sem olhar pra trás

Eu voei contra o vento
Sem aceitar o meu destino incerto
Eu abri os olhos, mais atento
Aprendi a ver o que está tão perto

Contei estrelas, não tão distantes
Talvez perdidas no seu olhar
Parei o mesmo tempo de antes
Só pra não aprender a te deixar

Hoje eu guardo os seus abraços em meus braços 
Tão eternos quanto um amanhã que nunca chega
Na imensidão do tempo, encontrei os meus perdidos passos
Preenchendo o vazio que a sua saudade deixa

E quando a dor for maior que a sua ausência
Eu vou parar o tempo e esconder o muito seu que existe em mim
Até que um dia retorne ao meu peito a sua existência
Então encontrarei o amor que guardei por ti, dentro do peito, aqui

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Segredos e Intimidades de Um Estranho Olhar

Certo segredo se esconde no íntimo de um estranho olhar
Como desvendá-lo?
É a resposta que procuro
O que sonho revelar

E vou sonhar
Enquanto os teus olhos não me traduzem nada além de um segredo
E vou lhe admirar
Quem sabe assim eu entenda melhor um pouco de mim mesmo

Talvez seja este o grande segredo
O que com os olhos não consigo traduzir
Procurei respostas no íntimo de um olhar estranho
Mas encontrei os sentimentos que jamais ousei sentir

Desvendei no meu olhar o teu segredo e a intimidade em si
Descobri que o estranho não permanece para sempre assim
Torna-se íntimo, às vezes uma parte inseparável de nós mesmos
Revela-se único, talvez o grande segredo de um sentimento verdadeiro

Que seja amor, paixão, ou querer estar onde você está
Seja o que for, ao mundo eu não posso revelar
São segredos e intimidades de um estranho olhar

domingo, 24 de janeiro de 2010

Não Temer o Amor

Sabe quando o céu muda de cor e as ondas do mar viram sinfonia?
Quando o desejo mais profundo no peito é o pedido da sua companhia?
Talvez seja a descoberta de um amor sem dimensão
Aquele que se define no simples pulsar de um coração

Sabe quando pedimos para o tempo voltar e ficar um segundo a mais?
Quando estar ao lado de quem se ama é tudo e o resto tanto faz?
Talvez seja a saudade imensurável do teu abraço
A vontade de lhe ter comigo em tudo que eu faço

Eu canto aos teus ouvidos e me encanto em teu olhar
Eu permito aos meus sentidos sentir o dom de te amar
Assim, como o sol aquece a lua e o céu reflete o mar

Sinto que, a cada dia que passa me encontro ainda mais em você
Vejo que a vida ganhou mais vida quando me permiti lhe conhecer
Digo que aprendi a te amar assim, sem ter medo em responder porque

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Segredo Indecifrável

Ah, se a lembrança fosse apenas desabafo
Se o amor acabasse ao fim de um abraço
Me conta agora como hei de te esquecer

Se ao entardecer dei pra sonhar, fiz tantos planos
Vi o sol se pôr e sob as estrelas descansei meus sonhos
Me diz como acordar e ver a vida sem você

Se nós, nas promessas em ser por toda a eternidade
Já convivemos com o futuro, sem saber a verdade
Diz com que verdade eu vou viver

Se confundiste o meu rumo e direção
Se no triste desatar da sua mão
Meu passo errou de estrada e se perdeu

Como, se nas ondas desse revolto mar
Eu naveguei milhas só pra te encontrar
E meu coração ainda pulsa pelo teu

Como, se nos amamos feito sol e lua
Se no infinito céu ainda sinto a falta sua
Me explica o que eu não consigo entender

Pois nos teus braços aprendi como é bom sorrir
Eu estive ao teu lado, por isso cheguei até aqui
Agora conta como hei de te esquecer

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Tempo de Amar

Corre o tempo que já não é tempo
Tanto tempo que eu nem me lembro
Corre o tempo que partiu com o vento
Forte vento, apagou tudo com o tempo

Cai a chuva que já não é chuva
Tanta chuva que até encobriu a lua
Cai a chuva no formato de lágrimas nuas
Leves lágrimas para lavar em mim a falta sua

Sinto uma saudade que já não é saudade
Tanta saudade, eu queria que o tempo passasse
Sinto saudades de te olhar nos olhos e falar a verdade
Minha verdade, como se amar você pra mim bastasse

E basta, pois me faz ouvir os cantos mais longínquos da sua voz
Transforma em um só o coração que existe dentro de nós
Traz a luz nos caminhos escuros que insistem em me cegar

Mas hoje o vento devolveu o tempo e permitiu lhe enxergar
Ver o meu mundo com a perspectiva do sonho teu
Construir o seu mundo com a força do amor meu